O Umbigo do Mundo

Pessoa, no Café A Brasileira

De Lisboa para a França fomos voando. Três dias em Lisboa é quase nada para a cidade de dois milanos.  E sete dias em Paris dá para alguma coisa ?

Ficamos numa avenida, Republique, perto da estação de metrô Parmentier, onde tinha um café bem francês, do lado do Mac Donalds, de uma casa de massas e dois chineses. Cada um tinha seu garçon etíope ou argelino. Os clientes eram daquela cidade antiga, Babel.  Em Paris estão todos os representantes das nações unidas e as desunidas também, todos iguais em Turismo.

Na rua das compras,  Saint Germain, motoristas e seguranças de limousines árabes atravancavam o passeio público. Para as ladies de Burka saltarem dos carros pretos com os pimpolhos. Quando eles estiverem idosos,  não haverá mais petróleo no mundo.

A Turba mesmo se locomove de outro jeito. O Metrô de Paris tem 14 linhas se cruzando, as estações mais antigas são labirintos arriscados,  mas com um passe eletrônico de seis dias por R$ 50,  qualquer um esquece o que é transporte de superfície. Tem bicicleta de aluguel mas eles pedem uma caução no cartão de crédito, de 150 euros, achei melhor não arriscar.  Resgatar dinheiro do CrediCard, não tem preço.

Pé da Torre

E haja lugar para ir no centro do Mundo. Escolhemos  os óbvios, porque iniciantes. A Torre do Gustave  Eiffel é subestimada por tudo que se registrou naquele lugar. É maior que todas as representações.  O Louvre, dizer o quê ? A Incrível História Humana num só lugar.  Me senti em casa. Pena que tem gente demais, sempre. E podia ter música tocando, alguém servindo patés e crepes, banheiros mais fáceis de achar e sessões de cinema. Aí ficava a perfeita fruição da Arte.

Caravaggio comportado

São João Batista, di Bartolo

As Pontes do Sena, A Ilha, Notredame, Tulherias,  Saint Germain, Montmartre, tudo por ali perto, mas em longas caminhadas.  Teve um dia para a Eurodisney, desejo de filha. Outro dia para Versailles, tumulto. E ainda fui no Tour de France, Arco do Triunfo, com mais um milhão de pessoas.

Nesse dia, esgotado, sem conseguir nenhum autógrafo, nem do guarda, fiquei pensando no Reveillón de Copacabana :  como essa gente toda volta prá casa agora ?  Que nada, com seis estações de Metrô, mais ônibus, mais dezenas de milhares de bicicletas,  o problema se resolveu civilizadamente em uma hora e meia no máximo. Voltei de Metrô,  em 25 minutos, contando a caminhada até a estação.

E olha que os franceses são estressados, mesmo. Mas é fácil de entender, somos nós, os turistas, invadindo aquela maquete gigante,  porque é deles a mais bela cidade do mundo.  Assim como é nossa a mais bela natureza, ou o melhor futebol.

Do alto da Torre do Eiffel, minha filha notou que Paris é quase monocromática,  muitos prédios são cor de areia. Os que destoam na cor, mantém a palheta no tom pastel.  Acho que para todos os iniciantes, Paris é sempre um sonho lívido, rápido,  com saudade ao acordar.

Paris, do primeiro andar da Torre Eiffel

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