A última crônica dU-Biker

Estou de mudanças. 2013 chegou fervendo de novidades. Nesse teflon de frigideira dançou U-Biker.  A marca foi registrada em 2010 e eu nem sabia ou fui comunicado. Qualquer busca no Google resolveria, mas o INPI não usa o Google. Eu não pude gastar os quase mil reais necessários a guardar uma marca e um conceito: o ciclista explorador das ruas. Eu simplesmente vivi isso,  acreditei que houvesse respeito e consideração entre ativistas do ciclismo que não se conhecem pessoalmente. Não há, agora acabou. Preciso abandonar a marca ou ser processado.

A última crônica dessas aventuras está no site dos ciclanos. Reproduzo aqui, para fechar também esse blog. Que deve virar livro, um dia. Afinal, mídia de verdade é o livro, contém coisas por quais vale registrar a vida. Não requer prática nem habilidades além da quarta série fundamental. Não usa pilhas, baterias ou eletricidade. Tem tradição de funcionar há 500 anos, não dá pau. Contém  todas as verdades do mundo e as bobagens que os filmes e TVs repetem em diferentes formatos.

Será que eu mato o personagem ?

A ÚLTIMA CRôNICA DU-BIKER :

Segurança                           

Uma cidade sem segurança não conhece prosperidade. Não digo polícia ou seguranças que batem nos fregueses das Boates. Ou segurança da Companhia de $eguros, pronta a te abandonar se a letra do contrato permite. Estou falando da segurança que as pessoas se dão mutuamente. Quando cai uma barreira de lama fria nas casas eles aparecem para ajudar, te visitam quando você adoece, compram seu bom produto ou serviço. Esse tipo de garantia social faz as pessoas reunidas prosperarem, uma vez que cuidam de si e dos seus em honesta prioridade. É a garantia social que na História evoluiu para administradores públicos ou privados. Primeiro os Clãs, as vilas, depois os Reis, os feudos e por fim e resumindo muito: a tal Democracia e o povo.

Foi nessa de democrata popular que U-Biker entrou numa encruzilhada. Para ajudar a dar segurança aos ciclistas e a si mesmo, uma campanha de 3 anos acabou por dar certo, ou não ? Os Administradores públicos da nossa próspera cidade trouxeram um pedacinho de progresso em forma de 18 km de sinalização, para motoristas enxergarem melhor os ciclistas da Ilha. Mas são tantos e tão novos os sinais e tanta gente para avisar que o sistema chamado Anel Cicloviário está sendo chutado do tráfego da Ilha. Era solução, virou problema. Ninguém entendeu, embora nem seja tão difícil. Ciclistas de 12 anos já entenderam. Faixa vermelha é alerta, o resto é ler as placas e deixar o preconceito de lado.

a instalação retirada a pedido da CET Rio.

a instalação retirada a pedido da CET Rio.

Os multiplicadores de opinião na Ilha não entenderam e não explicaram, o que tira de todos nós aquela segurança do contrato social. A própria CET-Rio, feita de engenheiros, não entendeu ou não quis entender e votou por tirar várias faixas exclusivas como a da foto acima. Os ciclistas ganharam e perderam. Nesse vai e volta perdemos um amigo atropelado, o jardineiro Francisco de Assis. Por um ônibus. Não deu em nada. Ele cuidava de graça dos jardins da ciclovia da Ribeira.

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Prosperidade                

A Revolução Industrial cuidou de elevar a tal Democracia a níveis inimagináveis. E também às piores ditaduras e guerras: 100 milhões pagaram o pato em Guerras. Até que os economistas e posteriori, financistas, decuplicaram em tamanho e empuxo, mostrando que era melhor lucrar explorando do que matando. Fomos à Lua, por orgulho, empáfia ou gesto simbólico de outra guerra, à frio. Aqui na Terra estamos numa nova Éra. Éramos felizes com menos.

O traço mais cortante e diário dessa conversa entrecortada é o trânsito. Toda cidade grande tem problemas, todas se parecem, vistas do engarrafamento, as marcas, mesmos sonhos realizados, gente parada pela prosperidade. O Mundo parece uma cidade só. Tantos caminhos, uma prioridade, o carro. Isso nos Clãs da Engenharia e Produção, porque nas ruas U-Biker só vê bicicletas e gente sonhando outras esferas.

A História Humana é um motor ainda não compreendido, isso sim é complicado. Parece que existem forças históricas, confluências, fluxos e refluxos, como se fosse um coração ou bomba d’água, moldando a realidade. E nós na corrente. Essa Nova Era é o momento do refluxo. Bom momento para começar alguma coisa em algum lugar. Completando o quadro: temos a Revolução Digital e duas ou três gerações sacrificadas no começo dela. Como sempre ( há tempos ) são os jovens que adoecem.
Os ciclistas da Ilha não. São jovens comprometidos no contrato social, já entenderam as vantagens de andar junto e misturado. Os ciclistas se multiplicam na Ilha porque perderam a vergonha de serem somente ciclistas, gente sem carro. Agora tem 200 placas dizendo a prioridade é do ciclista. As velocidades caíram para 40 km/h. Se você já sofreu um fino de carro ou van, só por diversão deles, vai entender a importância disso.

 Uma Cidade 

 

Uma cidade é de todos e de cada um. Se acontece de virar cidade de ninguém, perdem todos. Na Ilha prosperam o crime, as farmácias, as auto-escolas, as igrejas,  os supermercados, os transportadores de gente. Com a Lei Seca, prosperam os bares locais, tem poucas ou nenhuma blitz, vários dias da semana. E prosperam as bicicletas.

U-Biker não vê como isso evitará o grande caos no futuro próximo que ele pensa ter visto além do trânsito. É a grande cidade implodindo, quando cruzar a linha do contrato social, da democracia, da segurança, dos seguranças, da História, da realidade. Para ele chegou a hora de fechar o pano, sair da cena, aparecer noutro lado da galáxia Biciclus.

Apocalipse motorizado

E fica logo ali, 258 km do Rio, pela Avenida Brasil, a via preferida dU-Biker desde a primeira crônica, nesta que será a última.

Chama-se Paraty ou Parati. É filha dileta da História do Brasil, tem ares de D.Pedro Primeiro, cheio de cachaça, ao lado do velho companheiro, Francisco Gomes da Silva, o Chalaça.

Paraty só tem 37 mil habitantes e umas tantas bicicletas. Cidade plana, já tem 3 ciclovias desconectadas e aquela mistureba habitual de carros, gente, bicicleta, cachorro, cavalo, distribuídos em pequenos distúrbios de cidade do interior em início de Prefeitura. Até que você chega ao Centro Histórico e tem tanto estrangeiro que dá vontade de ver se ainda está no Brasil.

Pedalar nas pedras só para iniciados na cidade

Pedalar nas pedras só para iniciados na cidade

Duplicidade é pouco. Isso tudo encravado na borda de uma Serra que mergulha no Mar. Várias zonas de proteção ambiental, trilhas, cachoeiras, observadores de passarinho, o escambal. O que U-Biker aprendeu até agora vai nos alforges, para dividir com essa nova velha amiga os caminhos da bicicleta.

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