A primeira crise no Anel Cicloviário

Eu não sei se já disse aqui. E quando digo isso é porque já disse mesmo. Mas por redizer quero reforçar o argumento : os blogs pessoais estão sobrando na curva. Tornam-se páginas no FB. Uma pesquisa da Technorati mostrou que é overwork  fazer os dois, para quem não tem receita. Empresas idem, porque propaganda demais dá na pinta. Se a marca é tão boa prá que tanto argumento, não é mesmo ?

A internet cresce a passos largos. Mas o Interney caiu para sexto blog, agora dentro da rede fundamentalista cristã R7. O Google Blog Search revela que 55 milhões de páginas em português foram criadas ou atualizadas,  mais da metade deve ser do Brasil. Mas aí o Technorati diz que foram 600 milhões de fanpages no Facebook, quase um sexto do Brasil, onde mais cresce a rede social dos playboys de Harvard.  O lance mais legal, a influência da Blogosfera substituindo a abdução da Mídia, já acabou. Sobrou o TMZ, aquela escrotolândia de Hollywood. E fuderam com o Wikileaks ! mas  wiki não é blog, sobrei na curva da revolta.

Se a Internet fosse um shopping as grandes redes sociais seriam as lojas âncoras ( ou os donos do shopping ? ). Os sites bombados ( ex-blogs ) seriam as lojas e boutiques, os blogs de referências e serviços ( meiobit, BR-linux ) funcionam nessa comparação como lojas populares de um dono só e a praça da alimentação teria grandes e pequenos, ainda pagantes, os ex-blogs de humor e entretenimento. Mas em volta do shopping ficariam zilhões de barraquinhas gratuitas com artigos repetidos ou desnecessários à maioria, difíceis de achar e confiar.  São os quase 2,5 milhões de blogs nacionais.  PS.: Prá mim, se tem anúncio pago diretamente, não é mais blog. Lembrando que BLOG é sigla para diário on-line.

Como diz o Lobão, quando alguém tenta um salto, a gente é que paga por isso.  Mas já sei o que fazer com esses anos todos de textos daqui. Vai virar livro independente, com um diferencial de marquetingue, um vídeo impresso no livro ! Esperem e verão.

Instalação na Av Magistério, sem problemas até agora.

Aqui pelo menos tem uma história real, sem abduções ou propaganda, no sentido religioso. Foi documentada enquanto acontecia, há um crescendo, um momentum, uma linha para se acompanhar, enquanto eu enrolo em outros assuntos e opiniões de um blogueiro à beirola da extinção. E vai ser um livro onde nem eu sei o fim !

É a história do esforço dos ativistas de ciclismo na Ilha, por trazer sinalização oficial aos pedalantes locais, milhares de invisíveis ao Estado e aos motoristas, que vivem atropelando e matando e depois dizem, ops, não vi, desculpa aê. Fomos do nada ao anel cicloviário, 18 km de serviço público esperado há anos, mas agora ameaçado em seu primeiro confronto com a massa crítica do outro lado, os motoristas neuróticos.

Quase 16 km do CicloAnel serão apenas pinturas no chão e sinais redutores de velocidade. É para a convivência não terminar em atropelamento, quando perde somente o ciclista.

Instalar as faixas segregadas e sinais na Estrada do Galeão foi como plantar um pé de feijão minúsculo num pasto cheio de bois estourados. Simplesmente passaram por cima. Era prá ser uma operação cirúrgica, coordenada, com CET Rio, GM e operários. Tinha que ter um batalhão de azuis na contenção da massa revoltada, avisando desde antes o que estava ocorrendo. Mas tudo isso acontece no meio de um tiroteiro eleitoral onde cada voto vale quanto pesa a bala. E campanhas educativas oficiais ficam vigiadas e marcadas como eleitorais. Ninguém ouve. Ninguém quer ouvir nem ver.

A malfadada e malfalada instalação é igual a da Av Magistério, menos o tráfego. De quem é problema então ?

Mas eu vi e ouvi todos os argumentos, estive no local, estou há cinco anos na pesquisa e avaliação de tudo que acontece com ciclo no meio.  Ciclovia, principalmente. Minha conclusão final, para esses meus 19 leitores, é que foi uma instalação mal planejada e executada muito rápido. A primeira falha da companhia Rodoplex em dois meses de atuação impecável. O motorista logo dava de cara com tijolos amarelos da ciclofaixa à sua direita, ” lhe roubando ” uma faixa de rolamento. Além do susto, o ódio por ver o espaço sacrossanto profanado.

Outro exemplo da condição mais comum ao Anel: sinais e faixas para convivência entre veículos e pessoas pedalando. Fica na R. Eduardo Nadruz.

Mal percebe o revoltado que são só 100 metros, não tem como em nenhuma matemática, mesmo em Marte, esse espaço resolver o tráfego pesado. Se retirar, continua tendo engarramento na mesma medida que se colocasse mais uma faixa de 100 metros. O erro foi de sinalização para obra e custou anos de simpatia lentamente arrecadada. A revolta foi tanta que arrancaram os 70 tijolos amarelos e quando cheguei para fazer minha filipetagem educativa, não tinha nada ! Fiquei com cara de Homem de Lata, de coração gelado, como o Leão Medroso.  E nem o Mágico de Oz vai saber onde foram parar a porra dos tijolos amarelos. Essa tem volta, até o fim do livro.

Uma estrada de tijolos amarelos pareceu bom demais para pobres ciclistas que não tem carro. Logo vieram os idiotas da objetividade e tiraram num ato de vandalismo. Tá provado que Lei no país pode pegar ou não, mesmo que seja uma sinalização de tráfego.

O drama vai persistir. Não existe como atravessar a Estrada do Galeão senão por ali. E nem como compartilhar com carros, mesmo os ciclistas já subindo a Luis Belart sem proteção ou ameaçando pedestres na calçada. É zona de atropelamento, precisa baixar a velocidade, também para isso servem as ciclofaixas, humanizar o tráfego, tirar dele o tal fôlego da pressa. Correr  prá que ? Chegar mais rápido ao próximo engarrafamento ?  Buzinar e gritar porque ? Não tem saída, é o sonho do carro novo realizado para todos, nesse belo pesadelo !

Como vai ficar a passagem do CicloAnel pela Estrada do Galeão, se os idiotas da objetividade deixarem, é claro…O tráfego vem desde o Lemos Cunha com redução de velocidade, até 40 km, com pardal, eu espero….

Outro argumento matemático fácil de comprovar. Quem tem esse fôlego, corre e freia e acelera e insulta e agride, no final do dia, não economizou nem 5  minutos a cada hora e gastou 20% mais de combustível. O tráfego adoece as pessoas, materializa rapidamente ódios ancestrais por completos estranhos, desejos de atropelar alguém só porque parou onde não podia por um minuto. É só um novo  jogo carioca, o Transitoulento. Imagina se fosse futebol, o cara bota a mão na bola o outro corta-lhe a cabeça ! ( Apud: NR )

A Ilha merece e precisa ser uma referência do transporte de bicicleta. A ONU recomenda uso da bike por diversas razões pessoais e sociais, num raio de 6km de casa. Só isso já tira 10 % dos carros no bairro.

Ninguém disse que ia ser fácil, apenas possível. Vamos ver como ficam os resultados eleitorais que condenam o ano eleitoral a ser um ano de confusões e atrasos na vida de todos nós. Dependemos das prefeituras para quase 70% de nossas necessidades de serviços públicos. Estão todos insatisfeitos e mesmo quando pode melhorar, quando a prefeitura faz a obrigação dela, vem alguém e tenta um salto…

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3 Respostas to “A primeira crise no Anel Cicloviário”

  1. Sergio Telles Says:

    O projeto é muito bacana como um todo, já fazia exatamente este anel durante os meados dos anos 90 (diariamente dava 2 a 3 voltas nele, em ambos os sentidos, com algumas leves alterações), mas cabe uma pergunta óbvia, porque ele em vez de pegar as mais estreitas Rep. Árabe da Síria e Luís Belart (que inclusive tem um subidão “só para os fortes” no sentido Jardim Guanabara x Portuguesa) e não pelas enormes calçadas da Estrada do Galeão e da Rua Cambaúba? E porque não usar Haroldo Lobo e as ruas do Aerobitas em vez da estreita Eduardo Nadruz? Sobre reduzir velocidade na Estrada do Galeão, acho ecologicamente pouco viável, o engarrafamento que vai gerar e a poluição decorrente (é a realidade, as pessoas precisam entrar e sair da Ilha, o serviço público de transportes do bairro é um lixo, várias ruas não possuem linhas perto de casa, entre vários problemas) então a solução tem que ser independente de intervenções no tráfego de veículos neste momento, até porque o anel cicloviário atende a uma demanda interna e o tráfego de veículos está ocorrendo de uma demanda externa, de gente que já sofreu muito pra chegar até ali e ainda tem alguns longos quilômetros até em casa. Abraços e estou à disposição para colaborar.

  2. Anônimo Says:

    Alex, bom dia e parabéns pela iniciativa! Sou morador da Ilha, entusiasta do projeto e quero ajudar de forma voluntária, precisamos valer da insistência neste local, o anel como um todo representa mais do que espaço para ciclistas, ele é modelo de progresso para quem pensa em transporte alternativo e sustentável. Abs e estou às ordens para colaborar.

  3. Teresinha Says:

    O importante, Alex, é não desanimar mesmo quando tudo parece “quase impossível”.


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