Cachoeira descansa em Paraty

Eu tenho uma certa obsessão pelo destino das palavras. Cachoeira, por exemplo: uma palavra que foi por água abaixo. Até que  prendam ou desapareçam com o Cachoeira da CPI redundante, essa palavra ainda vai dar calafrios em muita gente, sem a lembrança aquosa e refrescante que a cachoeira leva em suas águas.

Cachoeira da Pedra Branca: uma das quatro mais visitadas cachoeiras em Paraty. De bike se chega a todas.

Mas quem pedala pelas serras vive em busca de autênticas cachoeiras. A experiência do banho primitivo pode inclusive limpar o stress de lidar com as notícias políticas,  nesse ano eleitoral onde a TV mais uma vez decide tudo, no final das pesquisas e debates e escândalos do momento.  As administrações das cidades travam por seis meses. O cidadão depende 70%  do que faz a prefeitura para  sua vida rotineira. Uma tremenda gelada para quem trabalha no terceiro setor.

Água gelada mas tem lugar ao Sol.

Em Paraty chega-se nas cachoeiras entre 6km  e 12 km,  à partir do Trevo da Cidade, com o primeiro trecho plano de quase 4k.  A subida se compara a do Redentor-RJ, em inclinação, mas o movimento de carros é mínimo, a serra de Paraty não tem saída. A estrada para Cunha é interrompida, mas de MTB dá prá ir até São Paulo.  Com minhas atuais limitações fui até 6km, na cachoeira da Pedra Branca.

Chega a parte da subida tem uma ponte

Onde o passeio começa tem ciclovia.

Depois dessa placa é fim da ciclovia. Daí, basta seguir a rua.

Cachoeira é isso. Não é aquilo.  É água vitrificando a pedra. Água gelada, restauradora. É a vida seguindo apesar das pedras no caminho. Mas, sem cortar a poesia: a água tem sanguessugas, é bom conferir na hora da saída.  As sanguessugas de rio são bem mais fáceis de tirar que as sanguessugas da Vida Pública.

água cristalina devia dar o exemplo ao Cachoeira e colocar tudo à limpo de vez.

Mergulho rápido porque tem parlamen…ops ….sanguessugas no leito.

No final da pedalada de duas horas,  ainda pude conferir a situação de risco para os ciclistas de Paraty que utilizam a ciclovia rural e iluminada. Ela termina num trevo onde não tem passagem, as bicicletas ficam à deriva, atravessando cada um de seu jeito e intuição. Os mais velhos e mais seguros contornam com o tráfego, os mais afoitos pegam a contramão,  atravessam em local proibido, para acessar a ciclovia.

Trecho onde termina a ciclovia e começa o perigo de atravessar

Dupla falta: motociclista cruza no lugar errado em direção à ciclovia onde motos são proibidas.

sugestão dU-Biker para resolver o problema foi desaconselhada pelo DNIT. Vai reduzir a velocidade do tráfego de 60 km/h para 40 km/h. Como diz o velho budista: vamos ver o que vem depois.

Table tops dariam conta das travessias, ligando a ciclovia ao trevo e à cidade.

Nesse fim de semana em Paraty ainda consegui contar umas bicicletas em pontos de convergência do tráfego. Paraty já tem engarrafamentos, na Av. Roberto da Silveira. Foi onde contei, em dois pontos diferentes, médias de 130 a 170 bicicletas por hora.  Em torno da rodoviária, quase a mesma média. Com ônibus manobrando, fica tudo confuso e arriscado.

Apoio da TA para aprender a contar bicicletas. O formulário não deu conta.

Quase a metade dos ciclistas anda na contra-mão, ni qui são acompanhados por carroceiros, animais de carga, cavaleiros, pedestres na rua.  Reina  aparente  a calma interiorana e todos parecem se entender por tradição, já que pouco mudou em anos. Não vi guarda de trânsito mas a PM passa toda hora, até me viram parado, observando e anotando, um tipo suspeito.

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