Acidente vai mudar os treinos do Fundão

Como diz uma piada budista, um jovem havia ganho um belo cavalo e toda a vila comemorou a boa sorte do animal e de seu pai, rico e próspero plantador de arroz. O velho budista sorriu como sempre e disse vamos ver o que traz o cavalo.  Algum tempo depois, o jovem se acidenta e quebra a perna, no que toda a vila se entristeceu pela má sorte do animal e seu dono, etc…. O Velho budista sorriu e disse vamos ver o que traz o acidente. Passa mais tempo, a piada é longa, e uma guerra faz recrutar à força todos os jovens da vila, menos o que estava com a perna quebrada. E o velho budista pentelho ensinou a todos que oscilar as paixões em demasia é perda de tempo e energia

posição do motorista antes de entrar na curva onde atropelou 4 ciclistas e o técnico da equipe ACIG-Portuguesa, na quinta, dia 10 de maio, às 9h da noite. Todos com luzes piscando.

Por isso nada do que digo aqui é definitivo, uma vez que as consequências de um acidente com vítimas oscilam mais que as paixões e muito com expectativas vindouras sendo aceitas. Os treinos no Fundão vão mudar, com certeza, ou vão acabar por falta de ciclista vivo. Da reunião com o vice-prefeito Paulo Mário saiu um acordo para sinalização e faixas pintadas, depois que a pista principal, Avenida Um, sofrer umas adaptações que o hábito de preservar fontes me impede de explicar agora.  Posso afiançar que são mudanças boas para bicicletas e ruim para os carros que pretendem cortar a Linha Vermelha pelo Fundão.

Visão oposta com tempo de chegada do auto até as bicicletas. O inquérito ainda está aberto, quem testemunhou ainda pode colaborar.

A esse acordo já deram sinal verde a Fecierj e a Triathlon Master. A primeira ainda vai acertar uns eventos em outubro, idéia lançada pelo Humberto, ainda no Hospital Souza Aguiar, se recuperando da cirurgia de pinos na tíbia. O  Rogério Trovão, outro ciclista operado, já está em casa. Os dois vão precisar de ajuda em vários sentidos para a longa e dolorosa recuperação. Mas como insiste em nascer o Lótus no lodo, alguma coisa boa vai sair desse terrível acidente. Desde que a Vila participe da alegria e da tristeza com a serenidade do velho budista.

 

Acidente no Campus Universitário

Um dos locais preferidos por ciclistas que treinam velocidade, a Ilha do Fundão, precisa ser melhor definido para essa atividade, urgentemente. O acidente de quinta-feira passada, 10/5, deixou dois no Hospital Souza Aguiar,  centro cirúrgico de traumato-ortopedia, um dos piores locais para ciclistas que treinam velocidade.

Humberto Schmidt, vice-presidente da Associação de Ciclistas da Ilha do Governador, ACIG, e apoiador da equipe ACIG-Portuguesa.

           Diz a boa educação que você considera quem chega primeiro. Manda a moral proteger os mais frágeis.  Quando o Fundão era um oásis de espaço na apertada Zona Norte, os ciclistas já treinavam por lá. Com o crescimento exponencial da Petrobrás e vizinhos fizeram até um viaduto, mas nenhuma plaquinha de CICLISTAS TREINANDO  !!

Rogério Trovão e o irmão Roberto, aguardando cirurgia no terceiro andar do Souza Aguiar.

Humberto Schmidt, 49, e Rogério Trovão, 20, estão no Souza Aguiar. Ricardo Xavier, 32, está em casa. E Daniel, Charles e Reginaldo, nada sofreram. O Humberto deve colocar pinos na perna, teve o rosto machucado, levou pontos. O Rogério quebrou a perna, cortou o braço e deslocou o ombro, além de uma pancada na vértebra sem lesão. O carro de apoio aos ciclistas foi atingido e as bicicletas.

Braço, coluna, perna e ombro. 60 dias de recuperação, depois da operação que aguarda. Quem pode ajudar ?

O local é aberto, apesar de ter sido à noite, a visibilidade é total, a pista é larga. O autor, João Vilaça Fº, diz que não viu o carro ao fazer a curva, se assustou, atropelou os ciclistas, depois o Humberto, depois o carro.  Ou seja, ele admite que todos os ciclistas estavam no meio-fio e o carro parado à frente, mas que se assustou ao fazer a curva e ver o carro parado ” em local proibido “, como notou antes de bater. O sujeito é um gênio, então. Consegue raciocinar questões de tráfego enquanto se assusta.

Operação na tíbia, para colocar pinos. 40 dias de recuperação.

A história dos ciclistas é a de todos os ciclistas que por ali treinam. Luz acesa o tempo todo alerta ligado.  Dois deles pararam por problemas na bike, os outros foram buscar o carro de apoio. Que chegou depois, parou à frente deles e o Humberto saiu do carro para ir aos ciclistas parados. Quando surgiu o atropelador levantando os ciclistas, depois o Humberto.

NOTÍCIA ERRADA 

NOTÍCIA CERTA 

A cobertura de mídia, àquela hora da noite, não foi das melhores. Com excessão da CBN, que ouviu os ciclistas e passou a matéria para o Globo, os outros arrumaram uma versão de ” ciclistas atravessando ” que não consta do boletim de ocorrência.  E para caracterizar a eterna discriminação e ignorância sobre bicicletas, o autor João Vilaça Fº diz que ” há uma ciclovia que passa por ali “, como quem diz ” o que vocês estão fazendo na minha pista de carros ? “.

A Ilha do Fundão é grande o bastante para todos usarem.

Estamos fazendo uma equipe de competição, a ACIG-Portuguesa, mas o João Vilaça Fº terminou com a primeira versão dela.  Outras virão.  Agora é cuidar das feridas, rever o processo, pedir ajuda de quem leu até aqui. Vamos nos reunir quinta-feira, de 4h às 6h, no local do acidente, para tentar um pouco mais de segurança aos que ainda treinam por lá.

E quem gosta de ser visitado quando está doente ou quebrado, vá ao Souza Aguiar e dê uma força, leve umas frutas. Se conhece algum médico por lá, fale com ele, peça atenção ao atleta que ainda está esperando cirurgia. A ACIG vai contratar serviço de advogado para proteger os direitos evidentemente vilipendiados nesse processo inicial. Vamos passar o chapéu porque nossa associação ainda é pequena mas não vai acabar na Ilha do Fundão.

Poucas e boas

Em tempos de Facebook, parece que blogar ficou redundante. Como ficaram vazias as mercearias, com a invenção do supermercado. Isso aconteceu com meu avô, agora acontece comigo. Os budistas é que estão no caminho certo, tudo é volta.

E não é que hoje os supermercados estão perdendo espaço para as redes menores ? Na Ilha abriu um hortifruti, já tem notícias da rádio tamanco que o Zona Sul chega à Ilha este ano. Mas isso tudo eu digo só para justificar o pouco texto hoje, estilo supermercado.

Paraty tem tamanho e disposição planas para fechar o circuito: caminhos, sistema integrado e alta demanda

Em Paraty: depois de 236 telefonemas,  1236 e-mails, 2 viagens e 1 concurso público, consegui abrir uma portinhola naquele município híbrido de interior e mundo.  Uma campanha para influir nas plataformas dos candidatos, puxando a sardinha para as magrelas de lá, sempre famintas por espaço seguro.  Linkar a campanha com eventos locais é a meta da próxima viagem.

Detalhes da Avenida principal: 172 bicicletas / hora, ao meio-dia de terça.

O Surto Criativo anda animado. DW na TV Brasil, Mari chegando da Espanha, Manfred ensaiando de novo. O Santa Fé está captando para projetos de lei Rouanet e o Gógol anda fuçando em Paraty. Léo e Raíza estão em outro planeta, ampliando horizontes num centro de estudos astrais, que ainda não sei nem o nome, mas promete um post interessante quando eu encontrar com eles.

veja mais no site

E como todo supermercado tem produto na promoção, aqui vai o meu. Estou vendendo a piranha, contra minha vontade, em favor da vontade do médico. Quando – ou se – eu voltar a viajar, vai ser de reclinável. Por agora, para consolar da venda inesperada, vou realizar um sonho:  a dahon dobrável.

Duplo freio à disco é segurança no tráfego urbano.

Portanto quem quiser uma bicicleta de primeira linha, com preço de segunda, é a piranha.  Ela não dá oficina – nunca regulei nada, nem banco – serve para tudo, sendo híbrida, veloz e forte na relação de 27 marchas. Tem uns defeitos de aparência como visto nas fotos abaixo.

Descascados na pintura e pedais velhos são os defeitos.

É piranha o nome da minha fuji 2.0 absolute garfo FC-900 de carbono porque no primeiro dia ela me mordeu !  Entrei numa curva pedalando e desacostumado que estava no tamanho do pedivela, bateu o pedal no chão, ela corcoveou que nem égua. Quando a perna voltou foi em cima da coroa grande.

componentes shimano, pedivela truvativ, alumínio denso.

Balancei mas não caí. Recobrado do susto, senti a pancada mas voltei a pedalar logo. Até que vi o caldo rubro escorrendo da canela ao tênis. Estava na frente do Hospital Santa Maria Madalena. Histórias dU-Biker.  Sete pontos em formato de mordida.  Na verdade, em quase dois anos, nunca caímos. Viajamos do Rio a Casimiro, pela Rota do Sol. Fomos de barca e pela Avenida Brasil a todos os pontos que ligam minha vida ao mundo.  Acho que deu uns mil kms.

mesa regulável, ferramentas allen.

Ela vai com bagageiro top e pneu traseiro novo, misto. Merece sempre uma supertranca e toda atenção. A origem é nobre, veio da Amazonas Bike, referências com o Cláudio, presidente sempre presente da Fecierj. Como não posso botar preço nessa relação homem-máquina, aceito ofertas, com troca por uma dahon, desde que seja da mesma idade. Ofertas à partir de R$ 2000,  para dar um chute inicial.

bagageiro de alumínio preto

NO MERCADO LIVRE

http://www.mercadolivre.com.br/jm/item?&site=MLB&id=234826047

Paraty 2012

Depois de fazer o Litoral Norte contra o vento, em seis dias de bicicleta, virei de lado e ventei para Paraty de carro mesmo.   As dores nas costas e a chuva de janeiro me convenceram a ir como todo mundo,  sem olhar  lentamente a progressão da estrada, como a bike permite.  Fui bem devagar, com a cabeça prá fora,  mas não é nem de longe parecido.  E o Brutus  foi levando a Piranha nas costas.

Brutus na vaga do almirante: início da ciclovia

Parei em Angra para ver aquele drama de mobilidade urbana. É uma cidade necessitando respirar, principalmente no centro nervoso, durante o verão. As ruas são cheias como no centro do Rio, estacionamento a dez reais. Tem um gratuito, gigantesco, que lota por volta das dez da manhã, para embarcar turistas para as Ilhas.

ciclovia protegida com elevação

Ônibus prá todo lado, da mesma empresa. Ciclovia apenas entre a Escola Naval e o Centro, pelo menos, bem feita. O problema me parece é que tudo em Angra fica no centro, comércio, turismo, prédios históricos,  poder público, cais do porto, pontos centrais de ônibus.  É um caso para grande estudo: da Veli Mobi, por exemplo. A quem U-Biker vai pedir ajuda para tentar uma aproximação com o poder municipal de Angra.  Os primeiros contatos já aconteceram.

cultura do automóvel à beira-mar é tiro no pé

Depois, Paraty, para nós, para o Surto Criativo, para mergulhar, para conhecer o Caminho do Ouro, para comer muito bem, para tomar cachaça tocando violão na beira da praça de 300 anos.  A cidade é um desses umbigos do Brasil, como Cabrália, Olinda, Ouro Preto.  Para quem gosta de história, grandes eventos ( tem 8 ), folclore ( tem todos ), música ao vivo, bicicletas e vida tranquila a cidade  é o paraíso, ou Paratyso. 

Pedalar nas pedras só para iniciados na cidade

É claro que não vi muito do que não gosto, tenho a vista treinada para desviar de problemas que não posso resolver. Paraty, dentro do Rio, dentro do Brasil, tem algum deles.  A cidade tem uma diáspora, mas concorrência em política é (quase)  sempre bom para o consumidor-cidadão-eleitor.

Já a questão da bicicleta na cidade está mais para frente que  para o atraso (a)normal nas cidades médias e pequenas. É muito melhor que Angra.

Ciclovia paralela ao canal de Paraty

Paraty tem um ciclovia que liga a zona rural à cidade, iluminada. E tem nas obras recentes a construção lateral de ciclovias, iluminadas. O grande evento da cidade, a FLIP, trouxe o David Byrne, grande ciclista de Nova York que por acaso é  músico do Talking Heads. Deve ter causado algum efeito nas autoridades,  para quem sabe refazer esse esforço iniciado no último milênio.

Todo mundo vai ao centro de bicicleta

Ciclovia fora da cidade em direção ao centro.

Mas ainda é pouco para a quantidade de bicicletas, pelo grande uso que se faz por trabalhadores e turistas, pela aptidão da cidade plana e pela vocação dos moradores que gostam da magrela. Muitas lojas e alguns bancos colocam bicicletários por conta própria. Mas não tem passeio, ainda.

A verdade é que a cultura da bicicleta vai chegar em Paraty em breve. Não sei quando em 2012,  mas já tem um projeto a ser sugerido pelu’Biker aos amigos novos que ele fez na cidade.  Onde o Gógol vai tocar dias, 2,3 e 4 de março, no restaurante da Gina, centro histórico.

Meus agradecimentos ao Marcos Marques, do PC do B, que me apresentou metade da cidade. Ao Ernesto López que me apresentou a outra metade, conectada no site dele, Paraty on Line.  E à dona Zilda, que não está no Canadá, e para a sorte dela vive em Paraty onde aluga quartos para visitantes como U-Biker.

VEJA MAIS FOTOS NO FACEBOOK / ALEX GOMES 

MATÉRIA NO PARATY ON- LINE 

OS CICLANOS 

Festival de Arte da Natureza

Ficamos em terceiro. Foi uma vitória e tanto, para quem nunca fez festival, não compôs para esse tema, disputou fora de casa, e teve uma semana daquelas antes da apresentação. A  agradecer. Ao Julinho Teixeira, que levantou a música nos arranjos finais. Ao pessoal do Surto que fez campanha para cliques. A todos que torcem pelo passarinho @@ !

A Mari tem estrela, desde o primeiro dia ela acreditou nessa canção que eu carregava como exercício há vinte e nove anos. Desde a Universidade Rural, quando um vizinho de alojamento, Eduardo Holandês, me passou dois acordes – Em9 e C/G – para eu fazer a base e ele ficar solando. No luar, solar…

Isso foi em 1982. Nunca saiu da minha cabeça, fui acrescentando uns Am9, Bm4, etc… um dia , em 2003, a Mari viu na harmona uma canção e assim nasceu o passarinho. Ela colocou quase toda a letra, e mais umas progressões com Dó sus, Fá sus meio diminuto, o negócio ficou bonito !

Em 2009 o Julinho Teixeira fez novos arranjos e adaptações a várias músicas da Mari, um trabalho lindo deles dois, que vem crescendo feito um Jequitibá. Foi onde pousou o passarinho e de lá para o Ibirapuera, em 2011. Ano que vem faz 30 anos. Falando assim parece até que eu tô velho. Mas tá só começando…

 

A CHAVE DO TAMANHO

Deixa crescer
deixa a criança mostrar pra ti
que existe um lugar basta ir
simplesmente ir

deixa viver
deixa o homem tentar aprender
não é nada demais
querer, sonhar,sorrir

deixa sorrir
deixa sonhar
quero sair deste lugar
quero viver
ver renascer
ter esperança é como voar

Passarinho vem cá me ensinar
a voar
Passarinho vem cá me contar

Que eu vou cantar pros males espantar

Vê como foi prá vc não errar outra vez
E tentar ser melhor , perceber
E deixar fluir

Procure a chave
dessa porta que vai reabrir
a escolha melhor prá vc
simplesmente ir

É pra sorrir, é pra sonhar
quero sair pra ver o mar
e nesse azul ver renascer
ter esperança é como o luar

que as crianças vem cá pra saudar
o luar
as crianças vem cá prá cantar

Que eu vou cantar pros males espantar
deixa sorrir
deixa sonhar
quero sair deste lugar

quero viver
ver renascer
ter esperança é como
passarinhos, e as crianças
luar solar ( 2 )

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 1.946 other followers