Depois de fazer o Litoral Norte contra o vento, em seis dias de bicicleta, virei de lado e ventei para Paraty de carro mesmo. As dores nas costas e a chuva de janeiro me convenceram a ir como todo mundo, sem olhar lentamente a progressão da estrada, como a bike permite. Fui bem devagar, com a cabeça prá fora, mas não é nem de longe parecido. E o Brutus foi levando a Piranha nas costas.
Parei em Angra para ver aquele drama de mobilidade urbana. É uma cidade necessitando respirar, principalmente no centro nervoso, durante o verão. As ruas são cheias como no centro do Rio, estacionamento a dez reais. Tem um gratuito, gigantesco, que lota por volta das dez da manhã, para embarcar turistas para as Ilhas.
Ônibus prá todo lado, da mesma empresa. Ciclovia apenas entre a Escola Naval e o Centro, pelo menos, bem feita. O problema me parece é que tudo em Angra fica no centro, comércio, turismo, prédios históricos, poder público, cais do porto, pontos centrais de ônibus. É um caso para grande estudo: da Veli Mobi, por exemplo. A quem U-Biker vai pedir ajuda para tentar uma aproximação com o poder municipal de Angra. Os primeiros contatos já aconteceram.
Depois, Paraty, para nós, para o Surto Criativo, para mergulhar, para conhecer o Caminho do Ouro, para comer muito bem, para tomar cachaça tocando violão na beira da praça de 300 anos. A cidade é um desses umbigos do Brasil, como Cabrália, Olinda, Ouro Preto. Para quem gosta de história, grandes eventos ( tem 8 ), folclore ( tem todos ), música ao vivo, bicicletas e vida tranquila a cidade é o paraíso, ou Paratyso.
É claro que não vi muito do que não gosto, tenho a vista treinada para desviar de problemas que não posso resolver. Paraty, dentro do Rio, dentro do Brasil, tem algum deles. A cidade tem uma diáspora, mas concorrência em política é (quase) sempre bom para o consumidor-cidadão-eleitor.
Já a questão da bicicleta na cidade está mais para frente que para o atraso (a)normal nas cidades médias e pequenas. É muito melhor que Angra.
Paraty tem um ciclovia que liga a zona rural à cidade, iluminada. E tem nas obras recentes a construção lateral de ciclovias, iluminadas. O grande evento da cidade, a FLIP, trouxe o David Byrne, grande ciclista de Nova York que por acaso é músico do Talking Heads. Deve ter causado algum efeito nas autoridades, para quem sabe refazer esse esforço iniciado no último milênio.
Mas ainda é pouco para a quantidade de bicicletas, pelo grande uso que se faz por trabalhadores e turistas, pela aptidão da cidade plana e pela vocação dos moradores que gostam da magrela. Muitas lojas e alguns bancos colocam bicicletários por conta própria. Mas não tem passeio, ainda.
A verdade é que a cultura da bicicleta vai chegar em Paraty em breve. Não sei quando em 2012, mas já tem um projeto a ser sugerido pelu’Biker aos amigos novos que ele fez na cidade. Onde o Gógol vai tocar dias, 2,3 e 4 de março, no restaurante da Gina, centro histórico.
Meus agradecimentos ao Marcos Marques, do PC do B, que me apresentou metade da cidade. Ao Ernesto López que me apresentou a outra metade, conectada no site dele, Paraty on Line. E à dona Zilda, que não está no Canadá, e para a sorte dela vive em Paraty onde aluga quartos para visitantes como U-Biker.















