Paraty 2012

Depois de fazer o Litoral Norte contra o vento, em seis dias de bicicleta, virei de lado e ventei para Paraty de carro mesmo.   As dores nas costas e a chuva de janeiro me convenceram a ir como todo mundo,  sem olhar  lentamente a progressão da estrada, como a bike permite.  Fui bem devagar, com a cabeça prá fora,  mas não é nem de longe parecido.  E o Brutus  foi levando a Piranha nas costas.

Brutus na vaga do almirante: início da ciclovia

Parei em Angra para ver aquele drama de mobilidade urbana. É uma cidade necessitando respirar, principalmente no centro nervoso, durante o verão. As ruas são cheias como no centro do Rio, estacionamento a dez reais. Tem um gratuito, gigantesco, que lota por volta das dez da manhã, para embarcar turistas para as Ilhas.

ciclovia protegida com elevação

Ônibus prá todo lado, da mesma empresa. Ciclovia apenas entre a Escola Naval e o Centro, pelo menos, bem feita. O problema me parece é que tudo em Angra fica no centro, comércio, turismo, prédios históricos,  poder público, cais do porto, pontos centrais de ônibus.  É um caso para grande estudo: da Veli Mobi, por exemplo. A quem U-Biker vai pedir ajuda para tentar uma aproximação com o poder municipal de Angra.  Os primeiros contatos já aconteceram.

cultura do automóvel à beira-mar é tiro no pé

Depois, Paraty, para nós, para o Surto Criativo, para mergulhar, para conhecer o Caminho do Ouro, para comer muito bem, para tomar cachaça tocando violão na beira da praça de 300 anos.  A cidade é um desses umbigos do Brasil, como Cabrália, Olinda, Ouro Preto.  Para quem gosta de história, grandes eventos ( tem 8 ), folclore ( tem todos ), música ao vivo, bicicletas e vida tranquila a cidade  é o paraíso, ou Paratyso. 

Pedalar nas pedras só para iniciados na cidade

É claro que não vi muito do que não gosto, tenho a vista treinada para desviar de problemas que não posso resolver. Paraty, dentro do Rio, dentro do Brasil, tem algum deles.  A cidade tem uma diáspora, mas concorrência em política é (quase)  sempre bom para o consumidor-cidadão-eleitor.

Já a questão da bicicleta na cidade está mais para frente que  para o atraso (a)normal nas cidades médias e pequenas. É muito melhor que Angra.

Ciclovia paralela ao canal de Paraty

Paraty tem um ciclovia que liga a zona rural à cidade, iluminada. E tem nas obras recentes a construção lateral de ciclovias, iluminadas. O grande evento da cidade, a FLIP, trouxe o David Byrne, grande ciclista de Nova York que por acaso é  músico do Talking Heads. Deve ter causado algum efeito nas autoridades,  para quem sabe refazer esse esforço iniciado no último milênio.

Todo mundo vai ao centro de bicicleta

Ciclovia fora da cidade em direção ao centro.

Mas ainda é pouco para a quantidade de bicicletas, pelo grande uso que se faz por trabalhadores e turistas, pela aptidão da cidade plana e pela vocação dos moradores que gostam da magrela. Muitas lojas e alguns bancos colocam bicicletários por conta própria. Mas não tem passeio, ainda.

A verdade é que a cultura da bicicleta vai chegar em Paraty em breve. Não sei quando em 2012,  mas já tem um projeto a ser sugerido pelu’Biker aos amigos novos que ele fez na cidade.  Onde o Gógol vai tocar dias, 2,3 e 4 de março, no restaurante da Gina, centro histórico.

Meus agradecimentos ao Marcos Marques, do PC do B, que me apresentou metade da cidade. Ao Ernesto López que me apresentou a outra metade, conectada no site dele, Paraty on Line.  E à dona Zilda, que não está no Canadá, e para a sorte dela vive em Paraty onde aluga quartos para visitantes como U-Biker.

VEJA MAIS FOTOS NO FACEBOOK / ALEX GOMES 

MATÉRIA NO PARATY ON- LINE 

OS CICLANOS 

Festival de Arte da Natureza

Ficamos em terceiro. Foi uma vitória e tanto, para quem nunca fez festival, não compôs para esse tema, disputou fora de casa, e teve uma semana daquelas antes da apresentação. A  agradecer. Ao Julinho Teixeira, que levantou a música nos arranjos finais. Ao pessoal do Surto que fez campanha para cliques. A todos que torcem pelo passarinho @@ !

A Mari tem estrela, desde o primeiro dia ela acreditou nessa canção que eu carregava como exercício há vinte e nove anos. Desde a Universidade Rural, quando um vizinho de alojamento, Eduardo Holandês, me passou dois acordes – Em9 e C/G – para eu fazer a base e ele ficar solando. No luar, solar…

Isso foi em 1982. Nunca saiu da minha cabeça, fui acrescentando uns Am9, Bm4, etc… um dia , em 2003, a Mari viu na harmona uma canção e assim nasceu o passarinho. Ela colocou quase toda a letra, e mais umas progressões com Dó sus, Fá sus meio diminuto, o negócio ficou bonito !

Em 2009 o Julinho Teixeira fez novos arranjos e adaptações a várias músicas da Mari, um trabalho lindo deles dois, que vem crescendo feito um Jequitibá. Foi onde pousou o passarinho e de lá para o Ibirapuera, em 2011. Ano que vem faz 30 anos. Falando assim parece até que eu tô velho. Mas tá só começando…

 

A CHAVE DO TAMANHO

Deixa crescer
deixa a criança mostrar pra ti
que existe um lugar basta ir
simplesmente ir

deixa viver
deixa o homem tentar aprender
não é nada demais
querer, sonhar,sorrir

deixa sorrir
deixa sonhar
quero sair deste lugar
quero viver
ver renascer
ter esperança é como voar

Passarinho vem cá me ensinar
a voar
Passarinho vem cá me contar

Que eu vou cantar pros males espantar

Vê como foi prá vc não errar outra vez
E tentar ser melhor , perceber
E deixar fluir

Procure a chave
dessa porta que vai reabrir
a escolha melhor prá vc
simplesmente ir

É pra sorrir, é pra sonhar
quero sair pra ver o mar
e nesse azul ver renascer
ter esperança é como o luar

que as crianças vem cá pra saudar
o luar
as crianças vem cá prá cantar

Que eu vou cantar pros males espantar
deixa sorrir
deixa sonhar
quero sair deste lugar

quero viver
ver renascer
ter esperança é como
passarinhos, e as crianças
luar solar ( 2 )

projeto novo

artista: Valdinei Calvento

Depois de tanta pedalada em setembro, com verão chegando, tá na hora de sair da toca musical e cavar uns showzinhos.

Por isso embarquei de novo no sonho de um evento para o Surto em 2012, enquanto o Oto prepara a gravação de “quando o amor sorrir” para o Natal. E correndo por fora vou com a Mari para Sumpaulo, dias 29 e 30/10,  disputar um Festival da canção, vintage total.

Ver a noite paulistana depois de uns dez anos de ausência não significará nada para a terra da garoa. Para mim é a fênix, o passarinho da esperança.

Festival da Natureza     canção A CHAVE DO TAMANHO

Está aqui nesse link o projeto inteiro do Surto

Projeto Surto 2012     Versão para produtores associados e Clubes. É a primeira versão escrita de várias versões pensadas e calculadas. Seria um pequeno festival para estudantes e profissionais de música e tecnologia.

Outra coisa :

Os Ciclanos       U-Biker site oficial, finalmente !

Hora de botar o pé no chão. Assim a cabeça voa melhor

Passeio neste domingo

E também todo segundo domingo de cada mês. Uma nova tradição na Ilha, já tem dois anos, uma associação e uma marca de produtos de bicicleta para seres urbanos. E Agora temos uma colaboradora nova, Alice, do CSS/Bahiense.

o passeio é gratuito, haverá distribuição de brindes, água nas paradas e segurança dos Bike Angels.

O RIR fez-me rir !

A nave espacial com toques de Niemeyer pousou para ficar. 2013 tem mais.

É sempre muito bom presenciar esses grandes ajuntamentos humanos, onde a maioria absoluta participa de um rito. A franquia RIR faz sim muita gente feliz e ali se desenvolve trabalho da melhor qualidade. Desde o showman comandante à menina da limpeza, que obviamente é quem mais teve trabalho. Parabéns a todos por estarem vivos nesse troço !

Eu vi e vivi dois Rock in Rio no mesmo lugar, aquele ex-pântano do lado do RioCentro. Todos fizeram gente feliz e entraram para o recente crescimento do  mercado de grande eventos internacionais no país.  Mas o meu humilde acho é que não foram os mesmos produtores que fizeram esse novo.  Aquilo foi terceirizado ao cubo. E não foi no Brasil. Aquele lugar é esquina do mundo, agora.

Léo Gandelman foi pro abraço da galera.

E que não me venham dizer que português é burro. Ainda que Rock in Rio, em Lisboa, seja um título contra o português, falado e escrito. O que digo é sério, mas tem graça, o RIR é um auto de competência capitalista, um Case de marketing hoje tão eficiente para tirar dinheiro quanto a Broadway, ou a Disney. Money makes the world go around.  Faturódromo, como disse meu irmão.

Mas a cultura musical ali só cresceu em dois planos, no meu humilde entender de zé da massa. Cresceu a conta dos artistas e produtores, que vão continuar se repetindo para delírio dos fãs de sempre e assim gerar novos artistas iguais. E cresceu a vontade de ser músico ou produtor entre milhares de jovens sem destino, carne nova.  É esse ” por um mundo melhor “que virá. O resto é conversa de vendedor de seguros. Ou vendedor de país.

Veja bem, eu fiquei muito grato de ir de graça, não iria de outra forma. Já é a segunda vez, de graça, mas dessa vez fui como o pai legal que sou. Minha filha queria ver o ColdPlay. O primo dela, publicitário por excelência do talento, moveu mundos para conseguir a sala VIP. Meu profundo agradecimento à toda essa família que suporta minha acídia implicante com a mídia, de onde eu jamais tiraria tais ingressos.  Mas eu sofro de congestão crítica. Tenho que dizer o que vejo porque ninguém mais vê. E confesso ainda  o sacrifício de andar 3 km valeu muito à pena. Como disse no início, os ajuntamentos humanos são fascinantes. Está na massa a possibilidade daquilo virar nação e fazer algo mais na vida que vibrar com o óbvio e hipnótico poder da música. O melhor dos poderes.

Daquií vem toda minha implicância.  A nação brasileira é amantíssima, mas tem uns sujeitos no comando, putz…sem palavras.

Balcão da Heineken. Tomei uma, até descobrir o balcão da Johnnie Walker. Beba com moderação.

Agora vamos a sala Vip onde a fauna merece comentários. Não contribuo para fazer clichês andarem, mas a moda reduz as pessoas à mesma aparência, com meia dúzia de variações.  Tudo diz pouco ou mente sobre a pessoa.  Quem tem mais din din, ou quer ousar, usa mais couro, pendura mais ouro. Comentarista de moda é profissão dura, criar sobre o que se esconde na superfície.

Em sala VIP tem outro tipo engraçado, o Último Dia. É aquele que vai comer e beber como se fosse…. Mas foi tudo muito civilizado, muita beleza e arrumação de luzes e sons. Muitas marcas com seus quiosques. A Coca-Cola, que distribui bilhões de garrafas plásticas pelo mundo, fez instalações com reciclados e deu recados importantes na divulgação. Erat Culpa.

Casa Grande evoluída.

O local tem terraço com almofadas de cara para o show. Mas sentado só ficaram os mais cansados e os chapados. Foi muito bom rever a Maria Paula, envelhecendo linda e feliz. E descobri que sou mais alto que o Willian Bonner, para quem inventei uma piada em inglês, em homenagem a internacionalização cultural do Brasil:

Who gets the prize from Brazil`s TV ?  -  Will Bonner

Whaaat,  Bob ? it`s just my keys in front pocket, don`t loose it up, man !

- I said Will Bonner from Brazil

Ohh, wright ! I`m flying there  too, Copa teases me on !

- No, stupid. Will.I.am Bonner !!

From who ?  a brazilian chick ?

- Oh, God ! it goes forever…

The bonner ?

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 2.028 other followers